Eu pensei em fazer uma resenha tradicional, porém enquanto passava as palavras do papel para a tela do computador, tudo pareceu chato demais, apenas um resumo enorme do filme inteiro com as minhas palavras. Então resolvi fazer algo diferente do que tinha planejado. Aqui vão comentários sobre alguns aspectos do filme. Espero que gostem!
O filme:
Laggies. Ou no título em português br, Encalhados. Dirigido por Lynn Shelton, e roteiro de Andrea Seigel.
Destaque para a diretora que é mulher, pois precisamos de mais figuras femininas na indústria do cinema (e tv)!
Lynn Shelton (eu não sabia até pesquisar ela no IMDb) dirigiu episódios de New Girl e The Mindy Project, e outros filmes como Your Sister’s Sister.
A historia:
Descrito pelo IMDb:
“Sofrendo uma crise de seus quase 30 anos, Megan entra em pânico quando seu namorado a pede em casamento, então aproveita uma oportunidade de ficar fora por uma semana e se esconde na casa de sua nova amiga Annika, de 16 anos, que vive com o pai solteiro.” (Tradução livre)
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Os personagens:
Megan, personagem principal representado pela querida Keira Knightley, é uma adulta já formada na faculdade mas que não faz ideia do que fazer na vida. Trabalha com o pai, e namora com seu amor do Ensino Médio; suas melhores amigas, também as mesmas do colégio. Ela se vê em uma posição diferente das amigas; sem um emprego fixo, sem uma direção no que está por vir. Ela é uma adulta confusa, difícil de não se simpatizar logo nos primeiros minutos quando a vemos dançando com fones de ouvido enquanto segura placas como ganha pão.
Annika. Oh Annika! Chloe Moretz foi a escolha perfeita para interpreta-la. Fico feliz em vê-la fazendo um papel de uma adolescente normal, que:
1. Não esteja matando vilões.
2. Não esteja morrendo.
3. Não tenha poderes sobrenaturais.
4. Não tenha nenhum atributo fora do padrão comum. Em geral.
É com um papel desses que temos um vislumbre da Chloe do mundo real, uma simples adolescente com problemas de adolescente. Annika é exatamente isso, a imagem certeira e resumida do que seria uma adolescente nos dias atuais. Ela possui mais de um celular para esconder informações do pai, ingere álcool, mente para o pai dizendo que vai ao cinema quando na verdade está indo para alguma festa de algum amigo da escola, gasta o tempo fazendo simplesmente nada considerado útil, apenas por prazer pessoal. Diversão. O que eu mais gostei como a personagem foi abordada no filme é que, apesar de ela fazer todas essas coisas consideradas ruins, ela é uma filha boa. Uma pessoa boa. Ela sabe os seus limites. Os adolescentes em Laggies mentem, bebem, vão a festas, matam aula, mas não é por isso que eles irão se tornar uma versão recente de Evie Zamora (por favor, digam-me que vocês assistiram Thirteen).
Annika se importa com o pai, e também quer dar uma chance a mãe que a abondara anos atrás. Ela é uma imagem da juventude matura. E eu entendo porque que a senhorita Moretz concordou com essa personagem.
Misty. Preciso falar de Misty porque mesmo ela tendo um papel secundário e pequeno, ela nos cativa nos poucos momentos em que aparece em cena. Misty é a melhor amiga de Annika, e é interpretada por Kaitlyn Dever (já assistiu Homens, Mulheres e filhos? Deve reconhecê-la então). Misty tem uma atitude que te atinge a metros de distância, uma personalidade incrível e um ótimo senso de estilo (destaque para sua única cena solo em que aprece na porta da casa de Meg nos minutos finais da historia). Com certeza me deixou com vontade de tê-la como amiga.
Eu poderia continuar com os personagens. Ainda tem as amigas de Megan (chatas), o pai de Annika e seus outros amigos, o namorado/noivo de Meg… Relaxa, que eu vou parar por aqui.
Megan é uma adulta presa à promessas feitas na adolescência. Sinto que o filme quer nos contar que para sempre não é eterno e que isso não é necessariamente ruim. (sinais disso é o divorcio dos pais de um dos amigos de Annika e o abandono da mãe da mesma) Em certas circunstancias é melhor deixar as pessoas partirem do que deixa-las consumirem a sua felicidade e quem você deveria estar se tornando, como acontecia com Meg; seu passado (suas amigas e namorado) sempre a puxavam para trás, quando ela deveria estar andando adiante. Laggies foi como um grito (na verdade, um aviso amigável) que dizia “Ei, aproveite a adolescência porque é o único momento que você terá a chance de ser confuso e imprudente, mas não se prenda à ela! Aproveite o máximo e quando for preciso, deixe-a ir.” Basicamente um ‘não deixe de fazer amanhã o que você pode fazer hoje’. O pai de Meg tem uma fala que representa bem o filme. Ele diz algo como: As pessoas envelhecem e se distanciam.
Pontos negativos (SPOILER ALERT):
Tenho que relatar um aspecto do filme que não me agradou. Não deixou o filme pior nem nada disso, mas gostaria de compartilha-lo.
Meg finalmente decide, ela não quer mais fazer parte do grupo de amigos do Ensino Médio; isso inclui seu namorado/noivo. Ela, por fim, decide deixá-los. Tudo isso acontece porque ela se apaixona pelo pai de Annika (que eu nem lembro o nome no momento). Sim, ela já estava infeliz a muito tempo, e foi por esse motivo que resolve partir por uma semana, para ficar longe de tudo e de todos, e acontece que o que deveria ser uma semana de seminário em não sei qual cidade, acaba sendo uma semana na casa de sua nova amiga adolescente. Até aí, acho divertido, até porque Annika e seus amigos gostam de Megan e o sentimento é recíproco. Mas aí o cara começa a ter sentimentos por ela, eles se apaixonam e Megan finalmente leva em consideração abandonar o seus chamados amigos, mas que agora não passam de desconhecidos.
O que eu sinto é o seguinte, se o pai de Annika nunca tivesse demonstrado interesse por Meg, ela ignoraria o possível sentimento que estaria crescendo dentro dela por esse homem que até uma semana atras ela não conhecia. E provavelmente voltaria para Anthony e se casaria com ele. O que aconteceria depois, no casamento, ou quando eles voltassem de Las Vegas não interessa, essa já é outra historia. O que estou dizendo é, gostaria que ela tivesse enfrentado suas escolhas e agido por escolha própria, e não por incentivo de um homem pelo qual se apaixonou (mesmo que o incentivo tenha sido indireto). Eu queria que ela tivesse encontrado a felicidade nela mesmo, não em apenas outros braços para se depender.
Não estou pedindo pra que ela arranjasse um emprego no últimos minutos do filme (seria muito bizarro se isso acontecesse), mas que pelo menos demonstrasse uma aspiração a algo. Se isso acontecesse, aí eu não acharia problema nenhum ela acabar com o pai de Annika. É pedir muito que a personagem encontre felicidade não só no amor, mas na vida em geral?
Conclusão:
É um filme gostoso de assistir, te faz pensar no futuro mas não tanto a ponto de te deixar em crises. Com personagens divertidos e irritantes (precisamos desse tipo, certo? Nem todo mundo deve ser legal), Laggies te concede um sotaque americano de Keira Knightley (que sempre vai ter a aparência mais britânica possível), performance incrível de Chloe Moretz (por mais simples que seu papel seja - talvez por isso seja tão bom), bailes escolares no começo e fim do filme. Laggies é leve e clichê, porém combinando com um ótimo elenco, personagens encantadores e um enredo fácil de se identificar, ele proporciona uma boa diversão para passar o tempo com pipoca e amigos.
Laggies é aprovado no Teste de Bechdel (The Bechdel Test) √


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